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Angola 38 anos de guerra
autor: Cláudio Versiani autor convidado
Cláudio Versiani
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Fotografar em Angola, por si só já não é tarefa fácil. A dura realidade dos sobreviventes de 38 anos de guerra estabelece uma condição tensa na relação fotógrafo/fotografado.

Foram duas guerras. Primeiro a de independência e depois a luta fraticida numa guerra civil que atraiu atenção mundial. Por Angola passaram tropas da África do Sul e de Cuba, leia-se EUA e a ex-União Soviética.

A câmera fotográfica está associada a espiões, de um lado e de outro. Esta percepção persiste até hoje ou pelo menos persistia até 1999. Mais por conveniência do que por qualquer outro motivo.

Em Angola uma câmera significa a possibilidade de se ganhar um dinheiro extra ou até a própria câmera. Mesmo o cidadão comum te diz que é proibido fotografar. Naquela época o menor salário em Angola era de 12 dólares e o maior de 200. Os angolanos tinham de se "virar" para sobreviver.

A grande questão que se impõe para um fotógrafo em Angola é exatamente: como fotografar ? Afinal são vítimas de uma guerra cruel, ou duas. Gente que perdeu tudo ou quase tudo. Menos a dignidade, a vontade de viver e a esperança de ser feliz. E felizmente a guerra acabou em 2002.

A democracia ainda demora um pouco a chegar, infelizmente.

Texto: Cláudio Versiani

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publicada em:
2008.08.31


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