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ARRANTZALEAK - Pescadores de Atum Euskal Herria, 1997
autor: Txomin  Txueka exposição individual
Txomin Txueka
> ARRANTZALEAK - Pescadores de Atum
Euskal Herria, 1997

Sede de Formas:

Ao abrir os olhos ao amanhecer, o Sol entra neles pelas retinas: perfilando o que não era nada na obscuridão do buraco, e com o contraste de luzes e sombras vai crescendo a luz ?descobrindo os objectos-, porque a luz tem sede de formas e nas formas sacia-se, reverso daquele Drácula que se sacia de sangue na obscuridão.

A claridade vem sempre do céu, é um dom; não está entre as coisas, mas muito acima delas: apropria-se das coisas, e tem necessidade delas, porque está em jogo a sua tarefa e a sua vida.

Segundo o poema de Cláudio Rodríguez, o leitor dará-se-á conta de seguida de que a luz não pode comportar-se da mesma maneira num lugar onde haja objectos e noutro onde não os haja (aqueles lugares ilimitados no mar, no deserto, nas terras geladas, que quiseram ser céus). Os objectos dão à luz o contraste do quotidiano; a falta de objectos, pelo contrário, uma espécie de perpétua uniformidade.

Ao trabalho que faz o Sol acontece-lhe algo como ao trabalho que faz o fotógrafo (a palavra fotografia contém a palavra foto = luz, como componente principal). Ao trabalho que faz o Sol acontece-lhe algo como à palavra também, a palavra que tece o verso (iluminar o reverso ou o outro lado, é dizer, na sombra, a etimologia e função da palavra no verso), porque uma verdadeira fotografia e um verso verdadeiro têm sede de formas, nas formas, e no âmbito das luzes e das sombras ? saciam -se.

Texto: ANJEL LERTXUNDI

Poema: ANDONI EGAÑA

Tradução: SOFIA QUINTAS

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publicada em:
2004.12.02


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